quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Todo vilão tem seus motivos

Já notaram que todo mundo tem uma boa justificativa para um caráter fraco? "Meu pai me batia", "sofri bullyng na escola", "estou cansado de ser bom", e por aí vai. Dá para entender esses casos, mas olhando de perto, ainda acredito que sempre exista uma maneira de quebrar o ciclo do mal.

Como acho que a vida real fica muito mais fácil de entender na ficção, resolvi analisar os principais vilões de duas das minhas histórias prediletas: Darth Vader e Lord Voldemort.




Anakin Skywalker nasceu sem pai, numa concepção espontânea, sendo filho de uma escrava, também já nasceu nessa condição. Conseguiu sua liberdade com grande habilidade e uma boa dose de altruísmo quando ajudou Padmé e o mestre Qui Gon Jin a conseguirem o que precisavam. Muitos anos depois, ele descobre num sonho que sua mãe estava em perigo. Chegando tarde demais, ela morre em seus braços, e ele massacra todo o povo Tuk, inclusive mulheres e crianças. Ele se apaixona e se casa com Padmé, então tem o mesmo sonho que teve em relação a sua mãe, desesperado pelo medo de perdê-la, ele se deixa seduzir pelo lado negro, o que acaba causando a morte dela de fato.




Tom Riddle foi abandonado pelo pai ainda no ventre, a mãe morreu no parto. Ele cresceu num orfanato onde não era querido por ser "diferente", até ser encontrado por Dumbledore e ir a Hogwarts aos 11 anos. Lá ele se descobre especialmente poderoso, ao se tornar adulto, vinga-se do pai matando toda sua família, além do próprio. Ele recruta bruxos e dissemina a idéia de banir todos aqueles que não sejam de sangue puro, além da eliminação dos trouxas e escravização das criaturas mágicas não humanas. Ele viveu a vida toda sem conhecer o que era afeto, então acabou buscando o respeito e o temor daqueles que o cercavam.

Ambos passaram por situações avassaladoras, e dá perfeitamente para entender o que os levou ao mal. Se prestarmos bem atenção, podemos nos identificar e até sentir pena deles, apesar de toda a dor que causaram a outros (confesso que fico emotiva até hoje toda vez que leio/assisto suas histórias).

 Mas existem os seus opositores. Harry e Luke passaram por situações tão difíceis quanto, Harry tinha que lidar com a ausência dos pais, mortos por Voldemort, o desprezo dos tios e ainda um fragmento da alma do próprio Lord das Trevas dentro de si, mas decidiu pelo caminho do bem, e aos 11 anos pediu ao chapéu seletor que não fosse para Sonserina. Luke também cresceu sem os pais, perdeu os tios, se meteu numa guerra, teve a mão arrancada e se descobriu filho de seu maior inimigo, mas escolheu não só a luz, como resgatar seu pai das trevas, mesmo quando isso poderia ter custado a sua vida.

Dá para perceber a principal diferença entre eles? Escolhas. Todos eram dotados de grande capacidade, todos sofreram perdas e dores, mas todos tinham escolhas. Elas nunca foram fáceis, mas estavam lá.

Também temos escolhas todos os dias, podemos justificar sermos péssimos pais,
negociantes desonestos e pessoas cruéis e maledicentes porque passamos por experiências horríveis que justificam isso. Ou podemos tentar criar um mundo melhor e não passar todo esse mal adiante. Ainda acredito que podemos salvar a humanidade simplesmente sendo humanos, e com a ajuda de Deus.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

O leitor



Cada livro lido, se gruda na alma e passa a fazer parte dela. Quanto mais a pessoa lê, maior ela fica. Maiores seus sonhos, seus questionamentos. Suas alegrias e tristezas serão mais profundas, os amores mais intensos, as amizades, eternas. Só quem lê, sabe conviver com todos os pensamentos, todas as realidades, todas as ideias. A mente do leitor é como uma estante bagunçada. Nela convivem pacificamente, C.S. Lewis e Stephen Hawking, Dostoiévski e J.K. Rowling, Kant e Lipovestky, Sir Arthur Conan Doyle, Stephen King, Biblia Sagrada, Dicas de moda, poesia, Star Wars e Percy Jackson, teólogos e ateus, físicos e romancistas, política e fantasia.
Essa é a matéria prima que forma um leitor, e quem dera, todos pudéssemos conviver como as ideias convivem nessas cabeças privilegiadas. Discordam, discutem, se harmonizam, se fundem e formam ideias completamente novas a partir dessa deliciosa mistura. Outro dia uma amiga querida disse que a humanidade salvaria a humanidade, eu discordo. Acredito que os livros é que vão.

domingo, 28 de junho de 2015

Encontro comigo mesma, muito longe de casa


Era uma vez uma menina que preferia ir à biblioteca que ao parque, e que tinha nos livros os seus melhores e mais fiéis amigos. Essa menina entrou na adolescência, e continuou sendo a garota estranha que vivia carregada de histórias fictícias.


Antes que pudesse perceber, a vida real invadiu tudo, e essa menina teve que esquecer a fantasia, a filosofia, o faz de conta. Trocou os livros por responsabilidades, contas a pagar, emprego e necessidades, o sonho de escrever foi substituído pelo de ganhar muito dinheiro. Ela não alcançou nem um, nem o outro, tornou-se fria, triste e superficial. Esqueceu-se de quem era, e passou a ser ninguém. Sabe o que acontece quando você se torna ninguém? Outra pessoa passa a decidir o que você deve ser, como deve pensar, sentir, sonhar, viver, e passam-se os anos sem que você nem perceba que deixou de ser, seja lá o que for.

Então nossa menina estava assim, vivendo uma semi vida, sentindo-se semi morta, havia virado mulher, mas deixado de ser pessoa, não tinha desejos, só obrigações. Ela estava no limite. Deixar de existir de vez parecia cada vez mais uma opção interessante.

Aí, alguém deixou um livro infantil dando bobeira. Era o último da série, não faria sentido nenhum, mas afinal, naquele momento, o que fazia sentido? E ela mergulhou sem pensar duas vezes num mundo mágico que fazia o nosso mundo parecer realmente absurdo. E sentiu-se em casa entre trolls, gigantes e elfos, bruxos bons, comensais da morte, mestres e estudantes. Reconheceu imediatamente o que significava o dementador, sonhou em viver na Toca e desejou ardentemente estudar em Hogwarts, visitar Hogsmeade e fazer gordices na Honeydukes. Ir a este mundo não só trouxe nossa heroína de volta à vida, mas a fez lembrar do quanto pode ser revigorante fugir para outra realidade.

Ela agora já conhece muitos outros, lembrou-se dos que visitou na infância, e até criou o seu próprio. Mas esse mundo, o mundo dos bruxos, Hogwarts, o Largo Grimmauld 12, o Knightbus, A plataforma 9 ¾, esse mundo sempre vai fazer parte da sua alma. Foi nesse mundo que ela lentamente voltou a ser ela mesma. Onde reaprendeu a respirar e sonhar. Onde libertou a mente e ousou voltar a ser alguém.

Por isso, esse mundo sempre vai ser a casa dela. Por isso, o coração bateu tão forte ao reconhecer aquelas torres, e as lagrimas teimaram a vir assistindo a um coral de sapos e tremeu de emoção ao reconhecer um velhinho de barba branca e seus amigos de outra vida. Por tudo isso, a emoção foi mais forte que qualquer constrangimento, e entre lágrimas, ela mergulhou dentro da própria mente e espera nunca mais ter que sair de lá.

sábado, 27 de junho de 2015

Por que eu não vou entrar nessa guerra.


Na última sexta feira, a Suprema corte dos Estados Unidos aprovou o casamento homossexual em todo o país. Como tudo o que cerca esse assunto, estou vendo muita histeria a respeito.
Gays celebrando, simpatizantes da causa mudando a foto do perfil no facebook e outras redes, gente compartilhando memes usando a foto de uma criança morrendo de fome para lembrar que existe coisa mais importante no mundo (ah, jura?), muitos crentes usando a imagem do arco-iris para lembrar do pecado que é homens se deitarem com outros homens.
Para falar a verdade, me dá preguiça disso tudo. Sou cristã, conservadora, mas sinceramente, não encaro a aprovação da união civil deles como o maior dos problemas. Na verdade, tenho a impressão que é bem aquela história do menino que vai fazer 18 anos e pensa que a vida vai mudar, e aí, nada muda. É isso. Eles vão ter o reconhecimento legal de relações que já existem. Ninguém vai ‘sair do armário’ porque agora pode casar, aliás, acho que os únicos homens que querem, de verdade, casar e ter filhos, são os gays e os evangélicos (olha que legal, uma coisa em comum!) e nunca sequer ouvi falar de alguém que decidiu não ser gay porque não poderia casar. Encaro como direito civil, duas pessoas vivem juntas por anos, constroem um patrimônio, criam filhos, fazem amigos, é justo que sejam legalmente reconhecidos como parceiros. Se a isso é dado o nome de casal, é pura questão de semântica.
Antes que meus irmãos em Cristo comecem a atirar pedras (se já não o fizeram), acredito sim, ser pecado a relação entre pessoas do mesmo gênero, e essa posição sempre foi muito clara, inclusive para os meus amigos homossexuais. Eu os tenho, amigos de verdade, que frequentam a minha casa e partilham a minha vida, conversamos sobre tudo, inclusive sexualidade, salvação, pecado e espiritualidade. A prática homossexual fere as leis de Deus, mas não é maior nem menor que outros pecados, como a mentira, fornicação, visita a cartomante, adultério e tantos outros. Acredito que como Calvino disse, estando separados da presença de Deus, somos completamente depravados, e não temos nenhuma chance de salvação. Somente o poder do sangue de Cristo pode salvar o pecador (Sola Gratia, lembram?).
 Acredito que o papel do cristão é orar, orientar, amar e também, saber a hora de calar a boca. Se Jesus comia com a prostituta, tenho certeza que ele não passava a refeição toda enchendo a cabeça da coitada. Claro que não! Ele falava da verdade, e só depois dizia: ‘vai e não peques mais’. Não encaro o movimento homossexual como meu inimigo, apenas os vejo como pessoas que ainda não foram alcançadas pela Graça, e que por isso mesmo, são capazes de grandes barbaridades, e nem sequer têm consciência disso. Como teriam, se vivem a natureza humana caída? A mim, choca muito mais assistir crentes se degladiando e devolvendo as agressões com a mesma força. Nunca precisei passar a mão na cabeça de ninguém para demonstrar meu amor, nunca precisei dizer que concordava com a maneira deles viverem para demonstrar que eles são preciosos para mim, e também o são para Deus!

É claro que existem situações muito delicadas defendidas pelo movimento LGBT, que não podem simplesmente passar batidas. Mudanças no currículo escolar, intromissão nos valores ensinados pelas famílias e igrejas, mudança de gênero financiada pelo SUS, inclusive para menores de idade, financiamento estatal à ‘parada gay’, promovendo um verdadeiro show de horrores e cenas pornográficas em via pública à luz do dia. Todos esses são problemas graves, sobre os quais devemos sim, protestar e se for possível, impedir. Mas não podemos impedir que essas pessoas, adultas, em pleno gozo de suas faculdades mentais, se associem como julgam correto. Podemos orar por elas, e é o que aconselho fazerem. Afinal, nenhum ser humano tem o poder de convencer o outro do pecado, mas tem muito crente atrapalhando o caminho do Espírito Santo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Essa tem futuro


Simplesmente amei essa garotinha. Essa não vai engolir sapos e tolerar convenções assim tão fácil. Quando crescer quero ser igual a ela.

sábado, 5 de janeiro de 2013

As aventuras de Pi

Esse com certeza vai entrar pra minha lista de filmes marcantes. Lindo, profundo, forte, emocionante. Além de cenas de uma estética impecável, a obra questiona valores de uma maneira sensível que respeita o espectador. 
Pessoalmente, a principal lição: "Deus não evita a tempestade, permite que sobrevivamos a ela.", independente do momento vivido, é saudável parar para refletir sobre os valores discutidos. Força interior, fé, crença, amor, colocados de forma ao mesmo tempo brutal e doce. 
Inesquecível e altamente recomendado a quem está cansado de ficar só na superfície.



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Chata

Sempre gostei de observar as pessoas, levo a sério a máxima "Aprenda com o erro dos outros, você não vai ter tempo de cometer todos", nos últimos dois anos, por causa do trabalho, conheci muitas mulheres, de diferentes idades, nível financeiro e religião. A grande maioria são pessoas admiráveis, fortes, batalhadoras, confiáveis, apaixonadas, inteligentes. Mas alguém me responde: por que mulher é tão chata? Se sentem donas das pessoas que as rodeiam, acham que têm o direito de se meter nos mínimos detalhes da vida de todo mundo, reclamam de tudo e não têm senso de humor. E esse é um problema que atinge um percentual bastante alto das meninas.
Sou mulher, tão feminina e vaidosa que já fui tachada de fútil, mas na infância e adolescência sempre fui mais amiga dos meninos, então devo ter perdido algumas aulas de como pertencer ao gênero feminino, por favor alguém me explica?
Algum tempo atrás, conversando com uma conhecida casada, ela reclamava do vídeo game do marido, que ele trazia os amigos pra jogar o fim de semana todo e ela acabava ficando sozinha, sugeri que ela aprendesse pelo menos um ou dois jogos pra passar esse tempo com ele. Ela me olhou de um jeito que achei que a cara dela fosse derreter "eu não sou criança", sorri sem graça e fiquei calada por mais um tempo enquanto ela reclamava com a outra, eu, que sou fisicamente incapaz de manter minha língua dentro da boca, perguntei de novo: "não tem nada que você goste de fazer sem ele?" ela respondeu que sim, fazer compras, ir ao cabeleireiro, essas coisas de mulherzinha, e eu, na minha infinita sabedoria: "pô então deixa de ser cri cri e vai ao salão enquanto ele joga!" desde esse dia sou considerada traidora da causa.

Tenho outras mil histórias parecidas com essa, como um sobrinho com quem não tenho muito contato, que perguntou de quem era o CD do Queen no meu carro, e eu disse que era meu, e que tinha aprendido a gostar da banda com a minha mãe, o moleque ficou em choque, simplesmente porque as outras tias não ouvem música no carro, não fingem que vão jogá-lo na piscina e estão o tempo todo com cara de quem está com cólica, ou seja, aos 11 anos ele já tem a imagem de que mulher e diversão não combinam. Ou um amigo que disse que tinha medo de namorar porque sabia que a garota em questão iria começar a fuçar o celular e as coisas dele. Quem foi que disse que pra ser mulher de verdade tem que ser implicante e cortar o barato de todo mundo? Deixe os adolescentes serem adolescentes e ouvirem a música que quiserem, brincarem e fazerem bobagem, deixe o namorado ter amigas, quem quer trair, trai, independente de monitoramento, mantenha conversas de igual pra igual, sem chantagem ou imposição de autoridade, ande junto, seja amiga, dê risada. 
Ninguém aguenta quem faz pose o tempo todo, beicinho e reclamações só vão te fazer uma pessoa indesejada e obrigar quem você ama a mentir pra você com mais frequência.